Emile e Laura De Cosmo
Traduzido por Michael Anthony Lahue
Série Rítmica Politonal: O método que faz a diferença entre o instrumentista comum e o músico surpreendente
Apresentação
Emile De Cosmo me acolheu como aluno e me mostrou o maravilhoso caminho do descobrimento musical e da expressão artística. Este encontro mudou minha vida musical definitivamente abrindo horizontes de criatividade inimagináveis. Portanto é com muito carinho que ofereço esta versão do Ciclo Diatônico para que todos os músicos brasileiros possam aproveitar desta metodologia ímpar que faz a verdadeira diferença entre o instrumentista comum e o músico surpreendente.
Sobre os Autores
Emile De Cosmo é músico, professor e palestrante de oficinas de jazz há mais de 30 anos. Tocando instrumentos de sopro de madeira ele tem se apresentado em Nova Iorque com inúmeros grandes artistas na televisão, na rádio, em trilhas sonoras e também em clubes, concertos e shows.
Lecionou como auxiliar de improvisação de Jazz na New Jersey City University (Universidade Estadual da Cidade de Jersey – Estado de Nova Jersey – NJ), professor de música prática na New Jersey City University e na Fairleigh Dickinson University (NJ), e diretor de bandas de sopro, de marcha e de jazz no Fort Lee High School (Colégio da Cidade de Fort Lee – NJ). Juntamente com sua esposa foi colunista durante anos do Saxophone Journal (Jornal do Saxofone) e da revista Jazz Player (Revista do Jazzista).
Autor e editor da Polytonal Rhythm Series (A Série Rítmica Politonal), uma coleção de 19 livros que foi elogiada por Paquito D’Rivera, Jamey Abersold, Denis De Blasio, Slide Hampton, John Faddis, Clem De Rosa, Clark Terry, Bill Waltrous, Harry Manfredini (compositor da trilha sonora do filme Friday the 13th – Sexta-feira 13°), Pat La Barbara, Gerard Schwartz (regente de orquestra sinfônica), Bucky Pizzarelli, Eddy Bert, Dizzy Gillspie, Ray Copeland, Leon Russianoff e muitos outros.
Participou em shows e gravações de grandes artistas como Sarah Vaughn, Dizzy Gillespie, Dinah Washington, Joe Farrell, Vic Damone, Milt Hinton, Slide Hampton, Bucky Pizzarelli, Gregory Hines, Pepper Adams, Terry Gibbs, Sonny Stitt, Rour Tops e muitos outros.
Laura De Cosmo como professora e música profissional, trabalhou em Nova Iorque tocando flauta transversal, saxofone, clarinete e cantando. Em sua carreira tem experiência em big band, conjuntos musicais e orquestra sinfônicas.
Laura e seu marido Emile são integrantes do The Opposite Sax, conjunto de jazz em St. Petersburg, Flórida. São colunistas de jazz do jornal The Neighborhood News e co-autores dos livros The Woodshedding Sourcebook e The Path to Jazz Improvisation, ambos publicados pela editora Hal Leonard.
Prefácio
Como a palheta de cores na arte, existe um “espectro” análogo na música composto de doze tonalidades maiores, doze tonalidades menores harmônicas e os seus acordes correspondentes. O Ciclo Diatônico é uma ferramenta que vai capacitar o estudante à dominação deste espectro musical (uma perícia essencial para estudantes de música de todos os estilos musicais) de uma maneira simples e prazerosa.
Nossa experiência pessoal de ensino tem demonstrado que é difícil para um estudante se tornar fluente além das tonalidades de Lá maior e Mib menor, e a maioria dos métodos não apresentam as tonalidades menores até que todas as tonalidades maiores tem sido aprendidas. A proposta do Ciclo Diatônico é apresentar cada tonalidade numa ordem específica que produz resultados imediatos. Cada página focaliza num centro tonal (tonalidade), cada um do qual é apresentado acrescentando apenas um sustenido ou bemol de cada vez. As tonalidades do menor relativo são apresentadas ao mesmo tempo ao lado de cada nova tonalidade maior. Este método não apenas economiza tempo, mas também alivia o cansaço de praticar escalas e arpejos do mesmo jeito, repetidamente.
O formato usado no Ciclo Diatônico funciona da seguinte forma: a primeira tonalidade apresentada é Dó maior, que não contém sustenidos nem bemóis. A segunda tonalidade é a relativa menor, Lá menor, que revela um novo sustenido: Sol#. A terceira tonalidade é Sol maior, que contem um sustenido: Fá#. A próxima é a sua relativa menor, Mi menor, que adiciona um acidental: Ré#. A tonalidade subseqüente é Fá maior que apresenta um bemol: Sib. Sua relativa menor, Ré menor, apresenta mais um acidente: Dó#. Por causa da ordem em que as tonalidades são apresentadas aqui, o estudante tem conhecimento dos doze tons cromáticos depois de ter tocado seis tonalidades relativamente fáceis.
Os exercícios melódicos em cada página permanecem iguais pelo livro inteiro; porém a harmonia e os acordes são trocados toda vez que o centro tonal muda. Uma série de vinte e dois ritmos é aplicada em cada exercício aumentando a fluência do estudante enquanto toca em cada novo centro tonal – uma habilidade essencial se o estudante estiver se apresentando, compondo ou improvisando – e também faz que a execução do exercício seja mais interessante.
As progressões de acordes no meio de cada página são analisadas com números romanos que indicam a qualidade do acorde (maior ou menor), sua posição fundamental e o grau em cada centro tonal. Cada acorde é demarcado com cifras também: por exemplo, na tonalidade de Dó maior, o I7M é denotado também como C7M, indicando que é um acorde com fundamento no primeiro grau da escala na tonalidade de Dó maior.
Depois de praticar todo este conteúdo, o estudante terá dominado as doze tonalidades maiores e menores harmônicas com êxito, aumentando a sua fluência como instrumentista. Estudantes da música popular e também da musica erudita se beneficiarão do Ciclo Diatônico porque ele estimula a tocar melodicamente e ritmicamente em todas as tonalidades.
Laura e Emile De Cosmo
Introdução
O antigo ditado de que música é uma linguagem é um tanto simplista. A música é uma linguagem complexa e composta por vinte e quatro dialetos, variações da língua estandardizada. Por exemplo, é necessário que falantes nativos da língua portuguesa sejam familiarizados com os vários dialetos para que possam reconhecer e compreender as variações totalmente e com eficiência.
Da mesma forma, um músico deve ser fluente na língua musical e em todas as tonalidades dialéticas. Os dialetos musicais consistem em doze centros tonais (tonalidades) diatônicos maiores e doze centros tonais (tonalidades) diatônicos menores. Um músico deve reconhecer uma cifra imediatamente como um “dialeto” (centro tonal) e ser capaz de “falar” (tocar) fluentemente naquele dialeto.
A Gravidade Natural da Música e o Ciclo de Quintas
Em todos os estilos musicais, existe um impulso harmônico básico: a tendência do tom, acorde, escala ou modo de se deslocar ou cair cadencialmente para um tom, acorde, escala ou modo cuja fundamental é uma quinta por baixo. É esta progressão cíclica de notas, tons, ou acordes que é representada no “ciclo de quintas”.
A principal progressão da música, o ciclo de quintas, também é a mais decisiva para o músico ouvir, tocar e utilizar na prática. Embora seja usado freqüentemente como meio de identificar tonalidades, a função principal do ciclo de quintas é de explicar os relacionamentos entre acordes e o movimento natural entre eles. Mais importante ainda, o ciclo de quintas é a chave para entender a progressão cadencial mais comum da música: a do acorde dominante com sétima (o acorde construído sobre o quinto grau da escala maior e menor) se movendo para o acorde tônico (o acorde construído sobre o primeiro grau da escala maior e menor), que em todas as tonalidades é Dó7, Fá7, Sib7, Mib7, Láb7, Réb7, Fá#7, Si7, Mi7, Lá7, Ré7, Sol7.
Dentro do ciclo de quintas ocorrem mais vinte e quatro ciclos – girando na mesma direção em quintas – chamados de “ciclos diatônicos”. Este termo se refere à tonalidade ou ao centro tonal dialético, maior ou menor, a qual cada ciclo pertence, que são dialetos da música que estejam circulando na mesma direção das quintas. O ciclo de quintas, que inclui todos os ciclos diatônicos constitui então, uma linguagem musical.
Progressão do Ciclo Diatônico
Normalmente, seguindo o ciclo de quintas, a próxima nota depois de Fá seria Sib. Porém, no caso do ciclo diatônico em Dó maior, para manter o centro tonal, o Fá se movimenta no ciclo para um Si natural, que fica um trítono do Fá. Este desvio comum do ciclo de quintas para manter o centro tonal diatônico, vale para todas as tonalidades maiores e menores.
Vale notar aqui que embora trítonos fossem geralmente evitados na música tradicional ocidental, o ímpeto produzido pelo forte movimento harmônico do ciclo de quintas foi considerado poderoso suficiente para justificar seu uso entre o quarto e o sétimo grau da escala sendo utilizado.
Movimento das Notas Fundamentais dos Doze Ciclos em Todas as Tonalidades Maiores
1. Tonalidade de Dó maior: Dó, Fá, Si, Mi, Lá, Ré, Sol
2. Tonalidade de Fá maior: F, Sib, Mi, Lá, Ré, Sol, Dó
3. Tonalidade de Sib maior: Sib, Mib, Lá Ré, Sol, Dó, Fá
4. Tonalidade de Mib maior: Mib, Láb, Ré, Sol, Dó, Fá, Sib
5. Tonalidade de Láb maior: Láb, Réb, Sol, Dó, Fá, Sib, Mib
6. Tonalidade de Réb maior: Réb, Solb, Dó, Fá, Sib, Mib, Láb
7. Tonalidade de Fá# maior: Fá#, Si, Mi#, Lá#, Ré#, Sol#, Dó#
8. Tonalidade de Si maior: Si, Mi, Lá#, Ré#, Sol#, Dó#, Fá#
9. Tonalidade de Mi maior: Mi, Lá, RéI, Sol#, Dó#, Fá#, Si
10. Tonalidade de Lá maior: Lá, Ré, Sol#, Dó#, Fá#, Si, Mi
11. Tonalidade de Ré maior: Ré, Sol, Dó#, Fá#, Si, Mi, Lá
12. Tonalidade de Sol maior: Sol, Dó, Fá#, Si, Mi, Lá, Ré
Movimento das Notas Fundamentais dos Doze Ciclos em Todas as Tonalidades Menores
1. Tonalidade de Dó menor: Dó, Fá, Si, Mib, Láb, Ré, Sol
2. Tonalidade de Fá menor: F, Sib, Mi, Láb, Réb, Sol, Dó
3. Tonalidade de Sib menor: Sib, Mib, Lá Réb, Solb, Dó, Fá
4. Tonalidade de Mib menor: Mib, Láb, Ré, Solb, Dób, Fá, Sib
5. Tonalidade de Sol# menor: SolI, Dó#, Fáx, Si, Mi, Lá#, Ré#
6. Tonalidade de Dó# menor: Dó#, Fá#, Si#, Mi, Lá, Ré#, Sol#
7. Tonalidade de Fá# menor: Fá#, Si, Mi#, Lá, Ré, Sol#, Dó#
8. Tonalidade de Si menor: Si, Mi, Lá#, Ré, Sol, Dó#, Fá#
9. Tonalidade de Mi menor: Mi, Lá, Ré#, Sol, Dó, Fá#, Si
10. Tonalidade de Lá menor: Lá, Ré, Sol#, Dó, Fá, Si, Mi
11. Tonalidade de Ré menor: Ré, Sol, Dó#, Fá, Sib, Mi, Lá
12. Tonalidade de Sol menor: Sol, Dó, Fá#, Sib, Mib, Lá, Ré
A Apresentação dos Sustenidos e Bemóis: POOK
No percurso do ciclo diatônico, sustenidos e bemóis são apresentados neste livro um de cada vez na Ordem Politonal de Tonalidades (Polytonal Order of Keys, ou POOK) especificado abaixo:
1. Dó maior
2. Lá menor (+ Si#)
3. Sol maior
4. Mi menor (+ Ré#)
5. Fá maior
6. Ré menor (+ Dó#)
7. Ré maior
8. Si menor (+ Lá#)
9. Sib maior
10. Sol menor (+ Fá#)
11. Lá maior
12. Fá# menor (+ Mi#)
13. Mib maior
14. Dó menor (+ Si)
15. Mi maior
16. Dó# menor (+ Si)
17. Láb maior
18. Fá menor (+ Mi)
19. Si maior
20. SolI menor (+ Fáx)
21. Réb maior
22. Sib menor (+ Lá)
23. Fá# maior
24. Ré# menor (+ Dóx)
25. Solb maior
26. Mib menor (+ Ré)
Como foi demonstrado, o aluno deve seguir a ordem POOK enquanto pratica este estudo. Depois que a primeira tonalidade maior for aplicada o aluno deve seguir imediatamente para a tonalidade relativa menor harmônica, (a mesma armadura de clave é utilizada para a tonalidade relativa menor harmônica, sendo que o sétimo grau sobe um meio tom). O estudo deve ser praticado nas vinte e seis tonalidades na ordem indicada.
Influência do Ciclo Diatônico
A progressão do ciclo diatônico (um espiral descendente de quintas) em todas as tonalidades maiores consiste em:
• o acorde I7M deslocando para o acorde IV7M
• o acorde IV7M deslocando para o acorde VIIø7
• o acorde VIIø7 deslocando para o acorde IIIm7
• o acorde IIIm7 deslocando para o acorde VIm7
• o acorde VIm7 deslocando para o acorde II7m
• o acorde IIm7 deslocando para o acorde V7
• o acorde V7 retornando para o acorde I7M
A progressão do ciclo diatônico (um espiral descendente de quintas) em todas as tonalidades menores consiste em:
• o acorde Im7 deslocando para o acorde IVm7
• o acorde IVm7 deslocando para o acorde VIIo7
• o acorde VIIo7 deslocando para o acorde III7M
• o acorde III7M deslocando para o acorde VI7M
• o acorde VI7M deslocando para o acorde IIø7
• o acorde IIø7 deslocando para o acorde V7
• o acorde V7 retornando para o acorde Im7
Deve ser entendido que os acordes e modos diatônicos em todas as tonalidades maiores e menores são sempre da mesma espécie ou qualidade.
Emprego do Ciclo Diatônico
Todos os estilos de música, sendo em tonalidades maiores ou menores – incluindo a música popular – empregam este fluxo diatônico de troca de acordes. Compositores e improvisadores proporcionam variedade e interesse à sua música mudando de um centro tonal para outro, assim criando muitas progressões de acordes diferentes. Na mudança para outros centros tonais, o fluxo do ciclo diatônico é mantido dentro de cada centro tonal. Sendo assim, a prática deste estudo proporciona os seguintes objetivos:
1. Decorar o som ou gravidade natural do ciclo diatônico para cada centro tonal.
2. Reagir e reproduzir sons ouvidos.
3. Tocar escalas, modos e acordes nas suas progressões naturais.
4. Respostas “ouvido/instrumento” mais rápidas, quando lendo ou improvisando.
5. Aprender todas as tonalidades ou centros tonais, maiores e menores, com a mesma proficiência.
Centros Tonais Dialéticos ou Tonalidades Assinaladas
A armadura de clave é apenas um indicador parcial dos centros tonais ou tonalidades dialéticas contidas numa determinada peça musical. Improvisadores principiantes e muitos músicos semi-profissionais improvisam na tonalidade da armadura de clave e dependem do ouvido para escutar os acordes não-diatônicos e mudanças tonais – das quais muitos destes músicos nem percebem. De fato, acordes – além dos acordes diatônicos – da tonalidade sendo tocada, assinalam mudanças de centros tonais ou dialetos que possam ser utilizados para improvisar.
Canções populares ou qualquer composição musical raramente permanecem apenas no centro tonal indicado pela armadura de clave, mas pode ser que mudem de centro tonal várias vezes durante uma determinada peça musical.
O uso mais comum de mudança de centro tonal se acha na seção B, ou ponte, de muitas músicas seguindo a estrutura AABA – quatro seções de oito compassos, com um total de 32 compassos de comprimento.
1. A seção A (idéia principal), que contém oito compassos.
2. A repetição da seção A.
3. A seção B, ou ponte, (em contraste com a seção A), que contém oito compassos que muitas vezes é composto de duas frases de quatro compassos; a última frase geralmente prepara para o retorno da seção A.
4. A repetição da seção A.
A música “I Got Rhythm” (“Eu tenho ritmo”), uma canção composta na forma musical AABA, passa por vários centros tonais durante a seção da ponte usando a progressão de acordes do ciclo de quintas.
Muitos músicos sabem que o refrão de uma canção e o “desengate” ou ponte são freqüentemente compostos em centros tonais diferentes, mesmo que a armadura de clave não indique tais mudanças. Muitos improvisadores, porem, não são conscientes de que os centros tonais mudam dentro da estrutura tradicional AABA.
Qualquer acorde com sétima que é diferente dos acordes diatônicos da tonalidade geralmente indica uma mudança de centro tonal dentro da progressão da canção e exige uma mudança para um novo centro tonal. Aqueles acordes funcionais que, aproximadamente 75% do tempo, assinalam mudanças para um centro tonal não relacionado com o da armadura de clave são: o maior com sétima, o menor com sétima, e o dominante com sétima que esteja fora da tonalidade da música sendo improvisada.
Tipos de acordes de tonalidades não relacionadas que assinalam mudanças de centro tonal são: o acorde tônico (I7M), o menor com sétima (IIm7), e o dominante com sétima (V7). Nas tonalidades menores, o acorde do segundo grau da escala é IIø7.
O próximo acorde que é comum na corrente de acordes funcionais é o subdominante: IV7M. Nas tonalidades menores é IVm7.
O acorde superdominante, VIm7, é o próximo acorde mais comum, seguido pelo mediante, IIIm7, e o subtônica, VII ø7. Estes três acordes geralmente fazem parte de uma progressão de mudanças tonais mais comprida.
Depois de praticar este estudo do ciclo diatônico com todos os seus centros tonais dialéticos, o aluno deve decorar todos os centros tonais com seus acordes e modos correspondentes. Quando mudanças de acordes aparecem na música, os novos centros tonais serão reconhecidos facilmente, e improvisação se tornará mais fácil.
Quando uma peça de música é escrita inteiramente dentro de um centro tonal indicado pela armadura de clave, improvisação é mais fácil; mas quando uma mudança interna de centro tonal ocorre, as exigências de improvisação se tornam mais complexas.
A abordagem do centro tonal no estudo de improvisação estimula fluência no espectro inteiro da linguagem e dos dialetos da música, e assim desenvolvendo corretamente o estilo do indivíduo.
Músicas Populares dos Cancioneiros Brasileiro e Norte-Americano que Utilizam as Progressões de Acordes Diatônicos do Ciclo de Quintas, ou Inteiras ou Parciais, em Vários Centros Tonais
Segue uma lista de músicas populares nacionais e internacionais que contém o ciclo diatônico, completamente ou em parte. Embora seja importante aprender o ciclo diatônico em todas as tonalidades ou dialetos, é indispensável que o compositor ou improvisador principiante de hoje seja familiarizado com o repertório da música popular que utiliza o ciclo diatônico. Quanto mais canções o aluno aprende, analisa e decora, mais fácil será a improvisação sobre a progressão de acordes diatônicos.
• A banda – Chico Buarque
• A felicidade – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
• Ai, que saudade da Amélia – Ataulfo Alves e Mário Lago
• All of me – S.Simons e G.Marks
• Along came Betty – Benny Golson
• All the things you are – Oscar Hammerstein II e Jerome Kern
• Ana Luiza – Antonio Carlos Jobim
• Anthropology – Charlie Parker e Dizzy Gillespie
• As praias desertas – Antonio Carlos Jobim
• Autumn leaves – Johnny Mercer e Joseph Kosma
• Baubles, bangles and beads – Forest e Wright
• Berimbau – Baden Powell e Vinicius de Moraes
• Blue moon – Richard Rodgers e Lorenz Hart
• Bluesette – Jean “Toots” Tielmans e Norman Gimbel
• Bolinha de sabão – Orlando Divo e Adilson Azevedo
• Boplicity – Miles Davis e Gil Evans
• But not for me – George e Ira Gershwin
• Caminhos cruzados – Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça
• Carinhoso – Pixinguinha
• Chasin’ the bird – Charlie Parker
• Chega de saudade (No more blues) – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes (Jon Hendricks e Jessie Cavanaugh)
• Cherokee – Ray Noble
• Chovendo na roseira (Doublé rainbow) – Antonio Carlos Jobim (Gene Lees)
• Confirmation – Charlie Parker
• Conversa de Botequim – Vadico e Noel Rosa
• Corcovado (Quiet nights of quiet stars) – Antonio Carlos Jobim (Gene Lees)
• Correnteza – Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá
• Countdown – John Coltrane
• Cute – Neil Hefti
• Daahoud – Clifford Brown
• Del Sasser – Sam Jones
• Dewey Square – Charlie Parker
• Donna Lee – Miles Davis
• É preciso dizer adeus – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
• Espelho das águas – Antonio Carlos Jobim
• Eu sei que vou te amar – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
• Fotografia (Photograph) – Antonio Carlos Jobim (Ray Gilbert)
• Flor-de-lis – Djavan
• Fly me to the moon (In other words) – Bart Howard
• Foi um rio que passou na minha vida – Paulinho da Viola
• Four brothers – Jimmy Guiffre
• Four – Miles Davis
• Garota de Ipanema (Girl from Ipanema) – Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes (Norman Gimbel)
• Get happy – Ted Koehler e Harold Arlen
• Giant steps – John Coltrane
• Good bait – Tad Dameron
• Groovin’ high – Dizzy Gillespie
• How high the moon – Morgan e Lewis
• I got rhythm – George e Ira Gershwin
• I love you – Cole Porter
• I remember Clifford – Benny Golson
• I’ll remember April – Raye e DePaul
• In a mellow tone – Duke Ellington
• Inútil paisagem (Useless landscape) – Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira (Ray Gilbert)
• Jordu – Duke Jordan
• Joy spring – Clifford Brown
• Just in time – Betty Comden, Adolph Green e Jule Styne
• Kim – Charlie Parker
• Ko-Ko – Charlie Parker
• Lady bird – Tad Dameron
• Lamento no morro – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
• Little Willie leaps – Miles Davis
• Loads of love – Richard Rodgers
• Lover man – Davis e Ramirez
• Lover – Richard Rodgers
• Luiza – Antonio Carlos Jobim
• Manhã de carnaval (A day in the life of a fool) – Luiz Bonfá e Antônio Maria (Carl Sigmand)
• Meditação (Meditation) – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça (Norman Gimbel)
• Misty – Errol Garner
• O barquinho – Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli
• O bêbado e a equilibrista – João Bosco e Aldir Blanc
• On Green Dolphin Street – Bronislav Kaper
• Ornithology – Charlie Parker
• Out of nowhere – Green
• Parisian thoroughfare – Bud Powell
• Round midnight – Thelonious Monk
• Sá Marina – Antonio Adolfo e Tibério Gaspar
• Saint Thomas – Sonny Rollins
• Samba do avião (Song of the jet) – Antonio Carlos Jobim (Gene Lees)
• Satin doll – Duke Ellington
• Scrapple from the Apple – Charlie Parker
• Se acaso você chegasse – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
• Sem você – Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
• Sister Sadie – Horace Silver
• Skylark – Carmichael e Johnny Mercer
• Só tinha de ser com você – Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira
• Soon – George Gershwin
• Sophisticated lady – Duke Ellington
• Stella by starlight – Victor Young
• Stranger in paradise – Robert Wright e George Forest
• Sweet Georgia Brown – Bernie e Pinkard
• Tarde em Itapuã – Toquinho e Vinicius de Moraes
• The shadow of your smile – Paul Francis Webster e Johnny Mandel
• The song is you – Jerome Kern e Oscar Hammerstein
• Tune up – Miles Davis
• Two kites – Antonio Carlos Jobim
• Valsa de uma cidade – Ismael Neto e Antônio Maria
• Vivo sonhando (Dreamer) – Antonio Carlos Jobim (Gene Lees)
• Watch what happens – Michel LeGrand, Ceora e Lee Morgan
• Yardbird suíte – Charlie Parker
Como pode ser visto pelo tamanho desta lista, o músico popular pode adquirir uma abundância de linguagem e estilo enquanto simplesmente aprende melodias. Estas músicas, como informação melódica armazenada no ouvido da mente, se tornam parte do vocabulário a ser incorporado – ou em células ou em trechos maiores – enquanto improvisando. Para cada uma das centenas, ou melhor, milhares de músicas que o músico popular astuto decora, ele tem tantas maneiras de incorporá-las por completo ou em partes sobre progressões de acordes sem fim. Este processo, com tempo, ocorre automaticamente.
Portanto, o musico principiante deve começar a decorar tantas músicas populares quanto possível para expandir sua fluência na improvisação e para adquirir um vocabulário e uma linguagem popular – ambos dos quais devem ser um processo contínuo. Depois de decorar algumas das músicas populares listadas acima, o aluno deve estudar as canções em tantas tonalidades quanto possível para aumentar seu vocabulário da linguagem popular ainda mais.
A mente deve ser desenvolvida para que possa compreender totalmente o que o ouvido escuta. Estudando o ciclo diatônico, ao lado do cancioneiro popular, desenvolverá esta habilidade da mente de enviar para o corpo aquilo que os ouvidos escutam, assim fazendo que o instrumento musical seja uma extensão do corpo do músico – conectando-o diretamente com a mente.
Desfrute do ciclo diatônico, e continue POOKando.
Como Usar Este Livro
Este livro é organizado para ser praticado como se lê um romance ou um livro didático. Estude cada página e anote aonde você chegou. Na próxima sessão de estudo, continue de onde parou até que o livro esteja completo. Este livro pode ser praticado novamente muitas vezes, assim trazendo resultados que levariam anos de experiência para alcançar. Dependendo das necessidades do aluno, professores podem dar lições de várias seções do livro conforme a situação.
Variação Rítmica
Este livro inclui uma tabela de ritmos. Cada ritmo é uma variação que sugere possibilidades diferentes no fluxo rítmico da improvisação e quebra a monotonia de tocar exercícios comuns. Praticando exercícios que são tanto melódicos como rítmicos, refinará a técnica, assim aperfeiçoando a leitura e melhorando o desempenho musical imediatamente.
Usando o Metrônomo
Para manter a exatidão rítmica e desenvolver um senso natural de métrica, o aluno deve utilizar o metrônomo quando praticar os estudos.
Acidentes vs. Armaduras de Clave
Acidentes são utilizados neste livro em vez de armaduras de clave com o propósito de facilitar a leitura e ajudar o aluno a decorar as armaduras de clave.
O Objetivo de Praticar os Exercícios
Alunos devem praticar os exercícios na extensão completa dos seus instrumentos com a meta de desenvolver a habilidade de executar os estudos em qualquer registro do instrumento. O aluno também deve aprender a reconhecer as mudanças cordais pelos sons dos vinte e quatro dialetos ou centros tonais. Realizando estes objetivos resultará num aprimoramento de reconhecimento de tom, habilidade de leitura, e fluência na improvisação.